Alguém no meu trabalho levou um vídeo do Prof. Marins pra passar numa reunião. O assunto era comprometimento, falava sobre a importância de se comprometer, etc e tal. Mas fiquei pensando: comprometer-se com quê?
Tive educação por parte de pai e mãe, aprendi o valor de se comprometer com trabalho, com família, e com o Corpo de Cristo. Mas também veio no meu DNA o olhar crítico, o questionamento, aquela coisa de olhar o mundo e não entender por que as coisas são do jeito que são. Passados os anos, e vindo a vida adulta, percebi que simplesmente não dá pra se comprometer com uma causa que eu não acredito.
A causa da fé é a mais nobre que considero, mas causa dos outros explorando a fé simplesmente não dá. Recentemente descobri que um conhecido que "cuidava" de adolescentes numa Igreja levava a garotada pro apê onde morava. Era uma república, o cara fechava a porta e o que rolava lá dentro fez com que os outros colegas que moravam com ele saíssem do apartamento em definitivo. Ora pois, a causa de cuidar de adols numa Igreja parece boa, e é, mas olha só o que esse camarada fez "em nome de Deus".
A pressão enorme hoje pra se comprometer em torno de causas alheias lembra aquele filme "Up in the Air". O personagem interpretado pelo Clooney fazia palestras de auto-ajuda onde ensinava que era importante viver sem carga alguma, inclusive evitando relacionamentos afetivos. Exageros à parte, ele tinha uma certa razão. Comprometimento exige recursos pessoais, nosso tempo, nossa atenção, nosso afeto, não dá pra simplesmente se comprometer com diversas causas ao mesmo tempo.
Acredito que já fiz minhas escolhas nessa vida, ao lado da minha família, do meu país e dos meus irmãos em Cristo. Parece pouco, mas é muito.
Saturday, March 27, 2010
Tuesday, February 09, 2010
Moralidade independe de religião, diz estudo
Reabrindo as postagens do blog, um assunto polêmico. No Estadão de hoje saiu uma entrevista com pesquisadores que publicaram um artigo sobre a origem do ser moral
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100209/not_imp508375,0.php
Artigo em PDF: http://download.cell.com/trends/cognitive-sciences/pdf/PIIS1364661309002897.pdf
Bem, Jesus não fundou nenhuma religião, muito pelo contrário, foi morto por que ousou enfrentar sacerdotes opressores do povo. A idéia de nos reunirmos em Igreja é bíblica, nos ajuntamos com pessoas que compartilham a mesma fé e nos fortalecemos mutuamente.
Agora...sistema religioso é outra coisa, é a máquina que se cria em torno dos fiéis, explorando a boa fé deles com o propósito de projetar seus líderes e dar-lhes poder. Desse sistema não espero nenhum ato moral, o julgamento deles é baseado em um objetivo maior: poder. Todas as ações sacerdotais giram em torno disso, ai de quem se levantar contra. Se pular carnaval vai lhes dar projeção e mídia, então tá valendo, mesmo sendo essa festa uma prática pagã das mais nojentas existentes.
Jesus, o Filho de Deus, não pertence a nenhuma religião, e não habita em nenhum templo feito por mãos humanas (Atos 17.24-25). Os sacerdotes podem até tentar, usando de vários artifícios para manipular as massas, mas tudo o que conseguirão será sujar o nome de Jesus com atos imorais, pra vergonha e desprezo aos olhos do Senhor.
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100209/not_imp508375,0.php
Artigo em PDF: http://download.cell.com/trends/cognitive-sciences/pdf/PIIS1364661309002897.pdf
Bem, Jesus não fundou nenhuma religião, muito pelo contrário, foi morto por que ousou enfrentar sacerdotes opressores do povo. A idéia de nos reunirmos em Igreja é bíblica, nos ajuntamos com pessoas que compartilham a mesma fé e nos fortalecemos mutuamente.
Agora...sistema religioso é outra coisa, é a máquina que se cria em torno dos fiéis, explorando a boa fé deles com o propósito de projetar seus líderes e dar-lhes poder. Desse sistema não espero nenhum ato moral, o julgamento deles é baseado em um objetivo maior: poder. Todas as ações sacerdotais giram em torno disso, ai de quem se levantar contra. Se pular carnaval vai lhes dar projeção e mídia, então tá valendo, mesmo sendo essa festa uma prática pagã das mais nojentas existentes.
Jesus, o Filho de Deus, não pertence a nenhuma religião, e não habita em nenhum templo feito por mãos humanas (Atos 17.24-25). Os sacerdotes podem até tentar, usando de vários artifícios para manipular as massas, mas tudo o que conseguirão será sujar o nome de Jesus com atos imorais, pra vergonha e desprezo aos olhos do Senhor.
Friday, February 05, 2010
Comeniusstrasse, zurück
Alguém poderia perguntar porque o blog, uma vez fechado, voltou a operar. O motivo é o mais irracional e emocional possível: saudades, algo que tento controlar pra tentar me readaptar à cultura brasileira, mas que agora apertou de vez.
Hoje de manhã participei da inauguração das novas e belas instalações do Esquadrão de Formação em Ensaios em Vôo. Foi hora de reencontrar velhos amigos e colegas. Numa dessas, um colega piloto de provas me encontrou e me cumprimentou. Conversa pra lá, conversa pra cá, ele volta e me cumprimenta de novo: "Pô Almeida, esqueci de te dar parabéns pelo que você fez lá na Alemanha! Você gostou, a família também?" Respondi que sim, e aí me lembrei de alguns momentos daqueles magníficos três anos.
Aquilo que vivi faz parte da minha vida, não é possível separar uma coisa da outra. Deixei amigos e irmãos em Cristo pra trás, mas eles continuam lá. A Alemanha, um país que me faltam palavras pra descrever, vai firme e forte como carro-chefe da Europa.
Voltei para o Brasil, mas eu tenho uma vida só. Não são duas existências, é apenas uma trajetória. Se lá sobraram desafios, aqui eu vou encarando um dos grandes. Meu novo Comandante me convidou para chefiar uma baita seção, dezenas de pessoas e uma missão a cumprir: testar hoje o amanhã.
Como disse, a vida é uma só. Tenho que estar no Corpo de Cristo, e isso graças a Deus Ele tem me suprido. Tem sido também um ensinamento dos bons, afinal, a vida é feita de opções. Basta abrir os olhos.
Hoje de manhã participei da inauguração das novas e belas instalações do Esquadrão de Formação em Ensaios em Vôo. Foi hora de reencontrar velhos amigos e colegas. Numa dessas, um colega piloto de provas me encontrou e me cumprimentou. Conversa pra lá, conversa pra cá, ele volta e me cumprimenta de novo: "Pô Almeida, esqueci de te dar parabéns pelo que você fez lá na Alemanha! Você gostou, a família também?" Respondi que sim, e aí me lembrei de alguns momentos daqueles magníficos três anos.
Aquilo que vivi faz parte da minha vida, não é possível separar uma coisa da outra. Deixei amigos e irmãos em Cristo pra trás, mas eles continuam lá. A Alemanha, um país que me faltam palavras pra descrever, vai firme e forte como carro-chefe da Europa.
Voltei para o Brasil, mas eu tenho uma vida só. Não são duas existências, é apenas uma trajetória. Se lá sobraram desafios, aqui eu vou encarando um dos grandes. Meu novo Comandante me convidou para chefiar uma baita seção, dezenas de pessoas e uma missão a cumprir: testar hoje o amanhã.
Como disse, a vida é uma só. Tenho que estar no Corpo de Cristo, e isso graças a Deus Ele tem me suprido. Tem sido também um ensinamento dos bons, afinal, a vida é feita de opções. Basta abrir os olhos.
Wednesday, November 25, 2009
Thursday, August 27, 2009
Comeniusstrasse
No dia 11 de agosto de 2006 chegamos à essa cidade chamada Braunschweig. Com um par de palavras em alemão e 8 malas, desembarcamos do ICE e fomos recebidos pela Sra. Martina Stark, uma pessoa que muito nos ajudou. Bem, a vida como a conhecíamos acabava por ali.
Sem apartamento, ficamos duas semanas em um hotel na frente de um belo parque da cidade. Era, de uma certa forma, um alívio frente à todas as dificuldades que estávamos enfrentando. Língua, comida, moradia, ambiente de trabalho, Igreja, ora pois, era tudo novo.
Com a graça de Deus fomos vencendo as dificuldades iniciais, mesmo porque haveriam outras pela frente, e maiores ainda. Fui ser pai em terra estranha. Na hora de dificuldade, éramos eu, Mariane e o nosso Deus nos guardando, protegendo, e dando sabedoria pra cuidar da nossa filha Sofia.
Longe dos ambientes que frequentava no Brasil, pude valorizar o meu antigo local de trabalho, nossa cultura descontraída e o jeito mais humano do brasileiro. Pude também repensar o aspecto ministerial, porque definitivamente o ritmo e o nível em que trabalhava antes não era aceitável.
Em todas essas experiências, Comeniusstrasse foi o endereço do meu apartamento e o nome desse blog. O apê está vazio, estou aqui digitando esse texto sentado no chão da sala. E o blog vai se despedindo também, mesmo por que agora é hora de novos desafios, é voltar da onde vim, e ajudar a fazer o Brasil um país mais desenvolvido e mais justo.
Aos meus amigos e irmãos em Cristo que por aqui passaram, leram e contribuíram, me despeço com um até breve e com a esperança de que, em poucos dias, poderemos nos encontrar após esses anos de ausência.
E ao povo alemão, que nos acolheu nesses três anos, meu muito obrigado. Levarei pra minha terra as melhores impressões e um enorme carinho. Desde já, muitas saudades.
Kyrie Eleison
Sem apartamento, ficamos duas semanas em um hotel na frente de um belo parque da cidade. Era, de uma certa forma, um alívio frente à todas as dificuldades que estávamos enfrentando. Língua, comida, moradia, ambiente de trabalho, Igreja, ora pois, era tudo novo.
Com a graça de Deus fomos vencendo as dificuldades iniciais, mesmo porque haveriam outras pela frente, e maiores ainda. Fui ser pai em terra estranha. Na hora de dificuldade, éramos eu, Mariane e o nosso Deus nos guardando, protegendo, e dando sabedoria pra cuidar da nossa filha Sofia.
Longe dos ambientes que frequentava no Brasil, pude valorizar o meu antigo local de trabalho, nossa cultura descontraída e o jeito mais humano do brasileiro. Pude também repensar o aspecto ministerial, porque definitivamente o ritmo e o nível em que trabalhava antes não era aceitável.
Em todas essas experiências, Comeniusstrasse foi o endereço do meu apartamento e o nome desse blog. O apê está vazio, estou aqui digitando esse texto sentado no chão da sala. E o blog vai se despedindo também, mesmo por que agora é hora de novos desafios, é voltar da onde vim, e ajudar a fazer o Brasil um país mais desenvolvido e mais justo.
Aos meus amigos e irmãos em Cristo que por aqui passaram, leram e contribuíram, me despeço com um até breve e com a esperança de que, em poucos dias, poderemos nos encontrar após esses anos de ausência.
E ao povo alemão, que nos acolheu nesses três anos, meu muito obrigado. Levarei pra minha terra as melhores impressões e um enorme carinho. Desde já, muitas saudades.
Kyrie Eleison
Tuesday, August 25, 2009
O melhor da Alemanha - Kalender
Pois é, o calendário. Simples assim. Todo alemão tem na sua mão um calendário, de papel ou eletrônico. Quer uma reunião, uma discussão, um projeto, marca um "Termin" com o alemão que sai.
Engraçado. Já li uma pá de livros de "time management", geralmente escritos por norte-americanos. Eles, assim como nós brasileiros, lutam para manter equilíbrio e performance no exercício de diversas atividades. O que falta muitas vezes é a realidade do calendário, aquelas 24 horas do dia, em que apenas algumas poucas são, ou deveriam ser, pra trabalho.
E as coisas parecem absurdas, pra quem não está acostumado. Dia desses recebo por e-mail a programação da reunião de final de ano do Instituto, que será no dia 11.12!! E pior: o passeio do meu Departamento, que vai ser amanhã, já está marcado desde fevereiro.
Bem, assim eles vivem, e caminham a passos largos.
Engraçado. Já li uma pá de livros de "time management", geralmente escritos por norte-americanos. Eles, assim como nós brasileiros, lutam para manter equilíbrio e performance no exercício de diversas atividades. O que falta muitas vezes é a realidade do calendário, aquelas 24 horas do dia, em que apenas algumas poucas são, ou deveriam ser, pra trabalho.
E as coisas parecem absurdas, pra quem não está acostumado. Dia desses recebo por e-mail a programação da reunião de final de ano do Instituto, que será no dia 11.12!! E pior: o passeio do meu Departamento, que vai ser amanhã, já está marcado desde fevereiro.
Bem, assim eles vivem, e caminham a passos largos.
Sunday, August 23, 2009
O melhor da Alemanha - Fahrrad
Fahrrad não é um nome turco, e sim bicicleta em alemão. Enquanto as grandes cidades dos EUA e também do Brasil tentam emplacar o uso das duas rodas e pedal, na Alemanha a coisa já vem de série.
Quase todas as calçadas alemãs são divididas em duas partes: pedestre e bicicleta. Apesar de não haver barreira física de separação, geralmente a bike anda na parte de fora e mais escura, enquanto o pedestre fica com a parte de dentro e, geralmente, mais ampla.

E com uma cultura difundida de uso intensivo, é possível ir pra qualquer lugar de bike. De casa até a DLR eram 7 km, passando por pastos, vacas, lagos e patos. Quem leva mais a sério manda ver 200, 300 km, seguindo cartas específicas pro ciclista ("Fahrradwanderkarte").
A convivência entre ciclista e carro é relativamente pacífica, geralmente nos entendemos com os de quatro rodas.
Quase todas as calçadas alemãs são divididas em duas partes: pedestre e bicicleta. Apesar de não haver barreira física de separação, geralmente a bike anda na parte de fora e mais escura, enquanto o pedestre fica com a parte de dentro e, geralmente, mais ampla.

E com uma cultura difundida de uso intensivo, é possível ir pra qualquer lugar de bike. De casa até a DLR eram 7 km, passando por pastos, vacas, lagos e patos. Quem leva mais a sério manda ver 200, 300 km, seguindo cartas específicas pro ciclista ("Fahrradwanderkarte").
A convivência entre ciclista e carro é relativamente pacífica, geralmente nos entendemos com os de quatro rodas.
O melhor da Alemanha - F-1
No embalo da 100a vitória brasileira na F-1, meu primeiro post da série vai pro horário de transmissão da F-1 aqui na Europa. Como é um circo deles, a corrida acontece em horários decentes. Pra mim que vou à Igreja aos domingos de manhã, aquele horário das 9 é sinônimo de video-cassete funcionando no Brasil.

Nesses três anos foi possível ir ao culto, almoçar e assistir as corridas ao vivo. Além disso, pude ir uma vez no GP da Alemanha, dado que o preço é pagável (140 euros na Spitzekehre)
Nesses três anos foi possível ir ao culto, almoçar e assistir as corridas ao vivo. Além disso, pude ir uma vez no GP da Alemanha, dado que o preço é pagável (140 euros na Spitzekehre)
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